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Cores para o quarto: veja quais tons ajudam a criar ambientes mais aconchegantes

Neutros aquecidos, verdes, azuis e terrosos estão entre as opções para transformar o dormitório; iluminação, materiais e tamanho do ambiente também devem entrar na escolha

Escolher a cor das paredes do quarto parece uma decisão simples — até chegar o momento de olhar para aquele universo de amostras de tinta. Bege ou verde? Um azul mais profundo? Branco para não correr riscos? E será que uma cor escura funciona em um dormitório pequeno? Como o quarto é um dos ambientes mais associados ao descanso e ao conforto, vale olhar além da preferência pessoal. A iluminação, os móveis, os revestimentos e até os tecidos usados na decoração podem mudar bastante a percepção de uma determinada tonalidade.

Os arquitetos Bruno Moraes, do BMA Studio, e Danielle Dantas e Paula Passos, do Dantas & Passos Arquitetura, monstra que o caminho está justamente em encontrar equilíbrio entre esses elementos e a atmosfera que se deseja criar.

Para quem prefere uma escolha versátil e fácil de combinar, os tons claros continuam sendo grandes aliados. A diferença está na temperatura das cores. Em vez dos brancos muito frios e dos cinzas azulados que ganharam espaço nos últimos anos, entram em cena off-whites, areia, bege e greige — tonalidade que mistura características do cinza e do bege. O resultado é uma base neutra, mas com uma aparência mais acolhedora. Segundo Danielle Dantas e Paula Passos, essas nuances também oferecem liberdade para levar mais personalidade ao quarto por meio da marcenaria, do enxoval, da cabeceira e dos objetos decorativos. Ou seja: a parede não precisa necessariamente ser a protagonista. Ela também pode funcionar como pano de fundo para os outros elementos do ambiente.

Projeto Dantas & Passos Arquitetura | Foto: Maura Mello

Se existe uma cor que transita com facilidade entre diferentes estilos de decoração, é o verde. Tons como sálvia, oliva e variações mais fechadas combinam especialmente bem com materiais naturais, como madeira, palha e linho. Dependendo da tonalidade escolhida, o resultado pode ir de um ambiente delicado e luminoso a uma composição mais intimista. “O verde é versátil, pois pode assumir diferentes características a depender da tonalidade”, explica Bruno Moraes.

A tendência deve continuar ganhando espaço. Entre as apostas anunciadas pela indústria de tintas para 2027 aparecem justamente tonalidades inspiradas na natureza, como o verde-claro acinzentado e nuances suaves e discretas. No entanto, antes de pintar, porém, vale observar quanta iluminação natural entra no dormitório. Uma mesma cor pode parecer bem diferente em um quarto ensolarado e em outro com pouca entrada de luz. E quem ainda não está disposto a pintar uma parede inteira pode começar aos poucos: cabeceiras, almofadas, mantas e outros elementos decorativos permitem experimentar o verde sem uma transformação radical.

Arquiteto Bruno Moraes| Projeto BMA Studio | Foto: Mariana Orsi

O azul também encontra espaço nos dormitórios, principalmente quando a intenção é criar uma atmosfera mais envolvente. Uma possibilidade é reservar a tonalidade mais intensa para uma única parede — a da cabeceira, por exemplo — e trabalhar cores mais claras nas demais superfícies. “Adoto uma superfície a ser destacada e as demais paredes podem receber nuances mais claras. Assim consigo adicionar personalidade sem carregar na cor”, explica Bruno. A solução ainda permite explorar tonalidades mais profundas sem necessariamente deixar todo o ambiente escuro.

Areia, argila, terracota suave, caramelo, marrons e rosados queimados formam outra família que combina bem com dormitórios. São cores interessantes para quem deseja criar uma sensação visual mais quente, mas sem precisar recorrer a tonalidades muito fortes. Danielle e Paula destacam especialmente as versões mais suaves. Caramelo e rosados queimados, por exemplo, podem acrescentar aconchego de maneira delicada. Essas tonalidades também conversam naturalmente com madeira, couro, fibras e tecidos, ajudando a criar aquela sensação confortável que costuma ser bem-vinda no quarto.

E no quarto pequeno, pode usar cor escura?

Pode. A ideia de que dormitórios compactos precisam obrigatoriamente ter todas as paredes brancas não é uma regra. É verdade que tonalidades claras ajudam a criar uma percepção visual mais aberta, mas uma cor escura também pode funcionar quando utilizada de maneira equilibrada. “O segredo está no equilíbrio da composição e na quantidade de luz disponível”, afirma Bruno Moraes.

Uma estratégia é concentrar a cor em uma única superfície. A parede atrás da cama costuma ser uma candidata natural, pois já funciona como ponto de destaque no ambiente. “Uma parede colorida adiciona um ponto focal no projeto e a face onde está a cabeceira é uma possibilidade bastante natural, já que concentra a cor em uma superfície que já possui uma função visual importante”, explicam Danielle e Paula.

Independentemente da tendência do momento, existe uma dica simples que pode evitar arrependimentos: testar a tinta no próprio ambiente antes de pintar tudo. A percepção da cor muda conforme a entrada de luz natural, a iluminação artificial e os materiais presentes no quarto. Por isso, aquela tonalidade que parece perfeita na pequena amostra da loja pode ganhar outra aparência quando aplicada em uma superfície maior.

No fim das contas, não existe uma única “cor certa” para o dormitório. Existe a combinação que funciona melhor para o espaço, conversa com a decoração e, principalmente, ajuda a criar a sensação que o morador deseja encontrar ao entrar no quarto. Entre neutros aquecidos, verdes naturais, azuis envolventes e terrosos aconchegantes, opções não faltam para transformar as paredes — e renovar o ambiente sem precisar mudar tudo.