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Redação | 9 de junho de 2026 | 0 Comments

CASACOR 2026 transforma arquitetura em acolhimento, memória e conexão 

Desde 02 de julho, o Parque da Água Branca passou a ser o grande ponto de encontro entre arquitetura, design, arte, sustentabilidade e experiências sensoriais do Brasil. Isso em razão da tradicional área verde da capital paulista receber mais uma vez a CASACOR. Desta vez, com o tema “Mente e Coração”. A edição de 2026 do evento, que se estende até 09 de agosto, busca inspirar com seus ambientes, além da estética, a reflexão sobre bem-estar, memória afetiva, natureza e novas formas de viver os espaços.

Entre os destaques da programação está a Arena do Conhecimento, promovida pelo Senac São Paulo, escola oficial da mostra. Entre os dias 9 e 12 de junho, o espaço reúne arquitetos, designers, pesquisadores e profissionais do setor em uma agenda gratuita de debates sobre inovação, sustentabilidade, tecnologia, processos criativos e os caminhos contemporâneos do morar.

A proposta é ampliar as conversas que já fazem parte da mostra e aproximar o público de temas cada vez mais presentes na arquitetura e no design atuais, como construção sustentável, economia circular, diversidade e regeneração ambiental.

Além das palestras, a edição deste ano chama atenção pelos ambientes que traduzem emoção, acolhimento e conexão com a natureza de formas muito diferentes — mas igualmente inspiradoras.

Um celeiro de memórias afetivas

Entre os espaços que mais despertam sensação de aconchego está a Casa Coral Celeiro Alvorada, assinada pelo escritório NJ+ Arquitetura. O ambiente presta homenagem ao Brasil do interior e valoriza referências ligadas à memória, à simplicidade e à vida rural.

Com piso em argila natural, vigas aparentes de madeira e uma paleta de cores terrosas e acolhedoras, o projeto cria uma atmosfera que mistura tradição e contemporaneidade. O pé-direito duplo, as grandes janelas voltadas para o verde do parque e a imponente estante de livros ajudam a construir uma sensação de refúgio urbano com alma afetiva.

O espaço também reforça uma tendência cada vez mais forte na decoração: materiais naturais, texturas artesanais e ambientes que despertam sensação de pertencimento e conforto.

Natureza como protagonista

Logo na entrada da CASACOR, o jardim “Da Terra ao Solo”, criado pela paisagista Maria Fernanda Marques, apresenta uma das propostas mais simbólicas da mostra.

Com mais de 3 mil plantas de espécies majoritariamente nativas, o espaço propõe uma verdadeira imersão sensorial e ecológica. Os caminhos orgânicos, a vegetação abundante e a presença de elementos artesanais transformam o jardim em um manifesto sobre biodiversidade, cultura brasileira e reconexão com a natureza.

Mais do que um projeto paisagístico, o ambiente discute o papel do verde no equilíbrio emocional e no bem-estar cotidiano. A ideia de desacelerar, respirar e viver os espaços de forma mais consciente aparece em cada detalhe — dos cobogós drenantes aos bancos de madeira e vasos produzidos artesanalmente.

Um pavilhão voltado ao bem-estar

Outro ambiente que chama atenção é o Cubikoo Pavilion, criado pelo arquiteto holandês Edward van Vliet. A proposta mistura arquitetura, contemplação e experiências sensoriais em um espaço modular revestido com materiais naturais como cerâmica e madeira.

O projeto foi pensado como um santuário contemporâneo dedicado ao equilíbrio emocional, à criatividade e à conexão entre interior e exterior. O uso de cobogós, iluminação natural e estruturas abertas cria uma atmosfera fluida, em que o visitante sente o jardim e o ambiente ao mesmo tempo.

A ideia de bem-estar aparece como um dos grandes fios condutores da edição 2026 da CASACOR, refletindo uma mudança importante no modo como as pessoas desejam viver a casa: espaços mais humanos, acolhedores e conectados com o entorno.

América Latina em forma de living

Em sua estreia na mostra, o arquiteto Lucas Carrara apresenta “Tramas e Transbordos”, um living inspirado na riqueza cultural da América Latina. O ambiente reúne arte, memória, tecidos, livros e referências afetivas para criar uma narrativa visual carregada de identidade e acolhimento.

Com estantes repletas de obras literárias latino-americanas, objetos garimpados e elementos que remetem ao cotidiano popular, o espaço valoriza o simples e transforma lembranças em arquitetura. Entre os destaques estão o tecido verde drapeado entre as paredes e o teto, o uso marcante da madeira escura e obras de artistas contemporâneos latino-americanos.

A proposta conversa diretamente com o tema da mostra ao abordar pertencimento, ancestralidade e conexões emocionais através do morar.

Foto: JP Image

A arquitetura dos sentidos

Também em sintonia com a ideia de desacelerar e sentir os espaços está “A Poética do Ritmo”, ambiente criado pela arquiteta Isabella Nalon. Inspirado na música, na literatura e na memória afetiva, o projeto propõe uma experiência sensorial delicada e acolhedora.

O espaço combina biblioteca, sala de música e áreas de permanência em uma composição fluida, marcada por iluminação suave, tons profundos, madeira e objetos carregados de significado emocional. Discos de vinil, livros físicos e obras de arte ajudam a construir uma atmosfera que valoriza o tempo desacelerado e os pequenos rituais do cotidiano.

A sensação é de entrar em uma casa que convida à pausa — uma tendência cada vez mais presente nos projetos contemporâneos.

CASACOR como experiência

Mais do que apresentar tendências de decoração e arquitetura, a CASACOR São Paulo 2026 reforça a ideia da casa como espaço de acolhimento, conexão e bem-estar. Os ambientes revelam uma busca crescente por materiais naturais, sustentabilidade, experiências sensoriais e projetos que despertem emoções reais.

A mostra acontece até 9 de agosto no Parque da Água Branca, em São Paulo, reunindo dezenas de ambientes que transitam entre arte, design, paisagismo e inovação.

Para quem gosta de decoração, arquitetura e novas formas de viver os espaços, a edição deste ano surge como um convite para olhar a casa de maneira mais humana, afetiva e conectada com o presente.